Cabeçalho do Vida Cinza

Supérfluo #8 - Voltando em Manhattan



Passaram duas semanas depois de tudo o que aconteceu no porão da casa dos McRay.
Lizza ainda estava se recuperando de tudo o que aconteceu, e planejando tomar mais cuidado das próximas vezes.
Além disso, havia um ponto á seu favor: agora Stell estava do seu lado, pronta pra ajudar a ser uma garota normal.

Pensando bem, isso é um absurdo. É um absurdo que uma garota de quinze anos precisasse da ajuda de sua irmã mais velha pra aproveitar a melhor parte de sua vida.
Bom, melhor não nos surpreendermos muito com isso, afinal, se trata de Lizza McRay, a garota mais reprimida da Terra.

Enfim, depois de duas semanas, Lizza se sentia um tanto quanto vitoriosa. Apesar de ter apanhado friamente de sua mãe, ela a enfrentou pela primeira vez. Sentiu que agora, havia cansado de ser o capacho de sua mãe.

...
Era sábado, 22 de Maio de 1976.
Como era planejado, pelo menos dois sábados de cada mês eram dedicados a visitas á avó de Lizza, em Manhattan. Esse era um desses dias.

- Pegou tudo, as roupas, os documentos? - Anna pergunta á Stell.
- Sim mamãe. - Essa responde.
 - Ótimo. Onde está Lizza? Se não aparecer em cinco segundos será deixada pra trás. - Grita Anna, fazendo da frase um aviso.
Seguer os cinco segundos haviam se passado quando Lizza sai de casa, com sua mochila vermelha nas costas e seu cabelo ammarado num rabo de cavalo, como no dia do show. Foi daí que Lizza havia tirado a ideia de prender o cabelo.

- O que é isso? Você acha mesmo que vai assim atrás de mim? - Pergunta Anna á Lizza, puxando as pontas do cabelo da garota com força.
- Calma, mamãe! Foi eu que prendi o cabelo de Lizza. Soube que está tendo uma epidemia de piolhos em Manhattan, e assim é mais difícil de pegar. Você não vai querer gastar dinheiro com remédios para piolhos com ela, não é?  Interrompe Stell, tentando 'salvar' Lizza.
- Bom, isso  é  verdade. ande garota, arrume esse cabelo, e vamos logo! - Diz Anna, fazendo referência ao cabelo de Lizza que havia acabado de bagunçar.

Enquanto arrumava o cabelo, Lizza olhava para Stell. Sorriu e quando sua mãe se afastou um pouco, agradeceu por tê-la salvado de um belo puxão de cabelos.
- Eu disse que estava do seu lado, não foi? - Responde Stell.

...
No caminho para Manhattan, Lizza observava pela janela do carro e lembrava-se de tudo o que havia acontecido naquele dia. As pessoas pareciam ser tão livres, tão felizes. Tão diferente dela.
"Será que ainda lembrava o endereço da casa de Mike? Ande Lizza, tenho certeza de que você se lembra."
 E lembrava mesmo. 
Depois de chegar na casa de sua avó, comprimetar seus tios e tias, Lizza resolve confirmar se realmente lembrava o endereço da casa de Mike. Mas não era por nada, ela sabia que havia um motivo. Lá no fundo, sabia que o motivo era Samayra. "Que mal vê-la denovo?", pensava.

Conversou com Stell, pedindo pra que ela desse cobertura para a fuga.
Stell, dessa vez, se negou a dar cobertura.
- Qual é, Stell? Você não disse que estava do meu lado? - Pergunta Lizza, meio com raiva, meio implorando.
 - Não Lizza! Você sequer sabe ao certo onde esse sujeito mora, já disse que não. - Responde a irmã, furiosa com a insistência da menina.
- A não ser que...- Uma ideia brotava na caebaça de Lizza. Uma ideia muito óbvia, mas era uma ideia.- Que tal se você fosse comigo?

Stell não hesitou em negar o pedido da irmã. Pensou por longos três segundos e aceitou a proposta, dizendo para a mãe e familiares que iam apenas  dar uma volta. 

CONTINUA...